Trump reduz presença de exército na Coreia do Sul: os EUA estão mudando sua estratégia militar?

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou a redução dos exercícios militares conjuntos realizados com a Coréia do Sul, o que impacta uma série de questões geopolíticas na região, como, por exemplo, a relação do país com a República Popular da Coreia, chamada de Coreia do Norte. Seul tem se posicionado de forma contrária ao conflito iniciado pelos EUA e Israel contra o Irã, o que pode ter desagradado Washington.

O analista geopolítico Anderson Barreto, pesquisador do Instituto Front, avalia que esse movimento deixa claro que Trump “não quer mais pagar a conta sozinho”. Além disso, afirma que a questão do Irã passou a ser um ponto nevrálgico entre os dois países. “O Trump se lançou em uma aventura, um erro brutal estratégico, a guerra do Irã, ou no Irã ou contra o Irã, virou um atoleiro”, resume em participação em O Estrangeiro, o podcast de política internacional do Brasil de Fato.

E agora, reforça o analista, os Estados Unidos simplesmente não sabem como resolver. “Fizeram o PowerPoint agora, assumindo o Estreito de Ormuz. Aí o governo iraniano até brincou que não dá para mover o Estreito de Ormuz para os Estados Unidos, porque geograficamente isso não é possível. E acabou utilizando essa desculpa da não entrada da Coreia do Sul nesse apoio, o que diz muito sobre a situação dos próprios Estados Unidos, de ter que estar pedindo para a Coreia do Sul contribuir na guerra contra o Irã”, explica.

Essa movimentação, segundo congressistas estadunidenses, poderia deixar a Coreia do Norte mais livre para apoiar os russos na guerra da Ucrânia, país aliado aos EUA. O correspondente do BdF na Rússia, Serguei Monin, conta que, após o início do conflito da Rússia com a Ucrânia, houve um estreitamento das relações do governo de Vladimir Putin com a Coreia do Norte, e a cooperação militar entre os países é um fato concreto. “Dezenas de milhares de norte-coreanos já atuaram junto com as tropas russas na batalha de Kursk para repelir a incursão ucraniana”, afirma.

Os EUA, que vivem uma situação delicada de uma derrota não reconhecida diante do Irã, perdem força na Ásia, com um elemento que torna a situação mais complicada: a Coreia do Norte tem armas nucleares. Nesse sentido, Anderson Barreto foi questionado se acredita que haverá algum tipo de processo de pressão para “desnuclearização” do país. “No curto ou médio prazo é algo extremamente improvável”, resume.

O pesquisador argumenta que o cenário geopolítico atual aponta para a direção oposta, com uma tendência internacional de fortalecimento da pauta nuclear. “O próprio acordo que os Estados Unidos firmaram com a Arábia Saudita de possibilitar o desenvolvimento de energia nuclear para fins civis. A própria Turquia vem retomando o debate do seu desenvolvimento nuclear. Enfim, a guerra no Irã, todo esse conflito contra o Irã, também destravou essa pauta”, pontua.

Confira a entrevista completa abaixo:

Para ver e ouvir

O videocast Três Por Quatro vai ao ar toda terça-feira às 15h ao vivo no YouTube e nas principais plataformas de podcasts, como o Spotify.





Fonte: Brasil de Fato

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